Eu realmente acredito em sinais. Há pequenas mensagens diárias, escritas pela mão gigantesca de Deus ou, se você preferir, aquela-força-cósmica-que-rege-a-todzzzzzzzzz. São pequenas semelhanças, coincidências ou toques divinos que fazem com que você deixe de sair de casa na hora em que começa a chover, ou que fazem com que você escolha um caminho diferente pra voltar pra casa e encontre um velho conhecido. Você pode chamar isso de Deus, coincidência, destino, árvore-mãe-natureza-de-Avatar ou um roteiro DA VIDA escrito por J.J. Abrams ou Damon Lindelof.
A partir desse pressuposto, eu aceito esses sinais. Se um download dá erro, Deus está me avisando pra não ouvir aquele CD. Se a rua está interditada, eu devo escolher outro caminho pra voltar pra casa. Talvez você encontre alguém no caminho, talvez encontre 10 reais no chão em uma calçada.
Mas calma, eu estou perdendo o foco: vim falar exatamente do contrário. Das más interpretações dos sinais. Explico: assim como acredito nos sinais divinos, acredito na maldade astrológica. Naquele dia em que seu horóscopo diz pra você sair com amigos e o pneu do carro fura no meio de uma avenida deserta. Quando ele te diz que é um ótimo dia pra ficar em casa e você descobre que seu paquera estava com seus amigos no barzinho ao lado. Ou quando – vide experiência pessoal – três horóscopos distintos te avisam que o seu MELHOR DIA DO ANO está chegando.
Continuo explicando: fiquei sabendo que domingo seria meu melhor dia do ano. É, assim mesmo, com a certeza de um exame de DST, recebi três e-mails que diziam ‘Olha, meu amigo, próximo domingo vai ser seu melhor dia do ano, aproveita aí, vacilão’. Logo programei um dia excelente, assistir um filme no cinema, comprar uns DVDs, talvez uma bermuda, talvez uma camiseta, se duvidar um sushi no final. E assim, lá vou eu.
O primeiro indício foi o óbvio: eu me atrasei pro filme. Pensei que dava tempo para fumar um cigarro antes da sessão e não, não dava. Entrei na sala escura, o filme já havia começado, eu me perdi e sentei no meio da multidão. Ao meu lado, uma cadeira vazia e, em seguida, um cara sozinho. Como minha vida é um roteiro adaptado de Lost, esse cara não seria um-cara-qualquer-que-eu-nunca-mais-vou-ver-na-vida: era o meu high-school-crush há meses, que estava assistindo sozinho um filme indie de animação. Deus gritava por sinais ‘YOU BELONG WITH ME’, numa versão mais alternativa de Taylor Swift, e EU NÃO PERCEBI.
Na saída do filme eu reconheci o cara, que nem olhou pra minha cara. Já puto com a ironia divina, fui comprar meus DVDs. Não encontrei o DVD que queria (‘Como assim, vi uma prateleira cheia deles há pouco tempo’, me disse uma amiga) e resolvi comprar um presente. Comprei, enfrentei fila, passei o cartão de crédito, fui embora. A melhor parte, a cereja do bolo foi que, em seguida, EU PERDI MEU CARTÃO. E lá vou eu pra toda aquela burocracia, ligar pro atendimento ao consumidor, ouvir ‘Pour Elise’ por horas, cancelar cartão, pedir cartão, esperar 20 dias úteis, etc.
Cansado e com sono, volto pra casa e ligo o computador. Vou checar meus e-mails e vejo que tenho três horóscopos novos. Em todos os casos, eles me diziam bastante enfaticamente que EU VOU CASAR NO PRÓXIMO DIA 15. Um deles até sugeriu Vegas. Há alguma piada de mau gosto nisso tudo. Já aguardo um banho de sangue de porco no meio da praça de alimentação do shopping, ou talvez um fora homérico, com direito a outdoor na Av. Mário Jorge. Não sei o que vou fazer no dia 15, mas das duas opções, devo escolher uma: ou eu paro de ler horóscopos ou paro de acreditar em sinais.

'No more Susan Miller for me'

1 comentário
Feed de comentários deste artigo
março 17, 2010 às 2:39 am
At least I've tried...
Que azar, ehin? É por isso que eu deixei de ler horóscopos, nuca acreditei neles, mas não custava nada “ovir” alguém tentar adivinhar meu dia.