
Todo mundo tem seu dia de Bridget Jones. Dias de Bridget Jones são normais, acontecem sempre, ao menos comigo. Não é só se encher de sorvete e ouvir ‘All By Myself’. É mais normal do que você imagina: um dia você esbarra na faixa de inaguração de algum local, ou você paga um mico enorme ao vivo, na tevê. Outros dias, você acorda pra baixo, adota o ‘All By Myself’ mental e passa o dia todo pensando que sua vida se baseia numa completa má interpretação dos livros de Jane Austen e do filme ‘Bonequinha de Luxo’.
Na minha humilde opinião, diria que é até saudável. Não dá pra ser feliz o tempo todo, não dá pra acordar e ouvir God Help The Girl, sair dando pulinhos pelo dia afora, meio Debbie Reynolds cantando ‘Good Morning’ em Cantando na Chuva. A versão oposta também não é muito aconselhável: não é de bom tom adotar o metal gótico como estilo de vida e só ver o lado ruim das coisas. Além de você adquirir uma depressão em poucos meses, suas roupas seriam horríveis e você seria confundido(a) com a vocalista do Nightwish na rua, o que é até pior que uma depressão.
A minha sugestão é: quando você acordar nos dias de Bridget Jones, se permita. Na maioria das vezes, não faz nem tanto sentido assim, mas se permita. Coma incontáveis trufas, ouça Jeff Buckley no repeat do mp3 player, compre duas garrafas daquele vinho chileno Panul no Extra e assista ‘Bonequinha de Luxo’ em casa, com sua melhor amiga. Ah, e obrigatoriamente chore na parte que ela joga o gato pelo táxi.
Normalmente, essa sensação passa logo que você se permite estar na fossa. Meu lado emocional, embasado nas más interpretações já citadas, me impossibilita de dizer que ‘ó, amigão, a vida é essa bosta aí, você vai terminar sozinho e let’s face it’. Eu sempre acho que no final vai dar tudo certo. Talvez por isso eu não consiga surtar totalmente por dias a fio. E olha, na minha humilde opinião, eu acho até melhor. No final de tudo, eu sempre espero que aquele táxi pare na chuva pra me pegar. Quem sou eu pra saber de alguma coisa, gente? Vai que uma hora eu dou sorte. Vai que eu consiga até achar o gato no beco também.
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who knows?

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